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quarta-feira, 29 de junho de 2011

ECOSSISTEMAS MARINHOS



No Brasil a Petrobras informa uma nova descoberta de petróleo no mar, com reservas importantes mais ainda não mensuradas; e os dinamarqueses e noruegueses, juntamente com a Rússia e os Estados Unidos, enxergam o degelo no Círculo Polar Ártico como uma grande oportunidade, sem contar a água com estrôncio vertida em Fukushima, alguns científicos....


Prenuncias de colapso dos ecossistemas marinhos em 10 anos.

26/06/11
Crise biológica nos oceanos. É uma catástrofe que não acontece desde pelo menos 55 milhões de anos.

Por LE MONDE E THE NEW YORK TIMES

O aquecimento global é responsável pelo aumento do nível do mar e provocará o desaparecimento de algumas zonas costeiras e ilhas (como as Maldivas).
A gravidade do diagnóstico é tal que se torna difícil imaginar os detalhes. Segundo uma comissão integrada por cerca de 30 especialistas, reunidos na universidade de Oxford (Reino Unido) num colóquio interdisciplinar, a magnitude das mudanças radicais - resultantes da atividade do homem - que afetam os oceanos é inédita. Não acontecia desde pelo menos 55 milhões de anos.
As conclusões desse encontro, organizado por iniciativa de dois organismos não governamentais – a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e o International Programme on the State of the Ocean (IPSO)–, foram difundidas esta semana. Será objeto de um informe com recomendações, que se comunicará proximamente às Nações Unidas.
O objetivo do informe – cuja totalidade ainda não se fez pública– é sintetizar trabalhos recentes sobre questões tão diversas como câmbios nos parâmetros químicos do oceano, impacto da contaminação local ou global, pesca excessiva e aumento da temperatura nas águas de superfície.
Esta síntese inédita oferece uma espécie de fotografia global sobre o estado dos mares do mundo, qualificada como “grosseira” por Alex Rogers, diretor científico de IPSO e professor de Biologia da Conservação na Universidade de Oxford.
Se as tendências atuais se manterem, é provável que entre 2020 e 2050 aconteça um desmoronamento dos ecossistemas marinhos em grande escala , segundo os autores.
Em especial, as águas da superfície do oceano absorvem uma parte importante das emissões antrópicas de dióxido de carbono (CO2), que leva a sua acidificação. Esta se produz a uma velocidade jamais registrada desde o máximo térmico do Paleoceno/Eoceno, que face 55 a 56 milhões de anos registrou uma extinção massiva (Ver Antecedente). Os membros da comissão asseguram que há um “trio mortal” bem conhecido, que atua nos oceanos de nosso planeta. Extensão das zonas anóxicas (privadas de oxigênio, por efeito muitas vezes dos efluentes agrícolas), aumento da temperatura e da acidez dos oceanos.
Esse trio que marca a situação atual é análogo ao que prevaleceu durante a maioria das cinco grandes crises biológicas precedentes, acontecidas durante as eras geológicas. Porém os efeitos são mais rápidos. Os investigadores notam também que, em 1998, um fato único de branqueamento dos corais – relacionado ao aparecer em forma parcial com uma forte anomalia nas temperaturas– levou a uma destruição de 16% dos corais tropicais mundiais. Estes são um reservatório crucial da biodiversidade marina.
Na atual situação, a grande modificação físico-química dos oceanos vem sendo agravada pelo fato que a resilência dos ecossistemas marinhos está alterada pela pesca excessiva e a contaminação global dos mares . A pesca reduz de fato a uns 90% determinadas as reservas de peixes, tanto que, a nível mundial, os 63% das reservas se encontram sobre-exploradas ou reduzidas gravemente.
E quanto à contaminação, os novos estudos mostram que sem duvida alguma, os plásticos e os retardadores químicos de chamas se instalaram firmemente até nas zonas polares, onde os biólogos os encontram nos órgãos dos animais destas regiões, afastadas de toda atividade industrial.
O relatório adianta algumas recomendações chave: redução das emissões de dióxido de carbono, redução de amostras dos peixes mais frágeis, regulamentação das atividades em alto mar, e redução de resíduos químicos nos oceanos.

TRADUÇÃO DO INGLÊS AO ESPANHOL: Silvia S. Simonetti

As principais causas

Aquecimento global.
É o responsável pelo aumento do nível do mar e provocará o desaparecimento de algumas zonas costeiras e ilhas (como as Maldivas).

Acidificação da água.
Produz-se porque as águas da superfície absorvem grande parte das emissões antrópicas de dióxido de carbono. Afeta os corais.

Poluição.
Os novos estudos mostram que os agentes mais contaminantes são os plásticos e os retardadores químicos de chamas. Um perigo.

Pesca predatória.
Segundo o informe, a pesca excessiva é um fator desestabilizador, tanto como a contaminação local ou global e o aumento das temperaturas.

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