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terça-feira, 13 de outubro de 2009

RSE -BRASIL

Brasil está em todas (Port_Esp.)

Premiado com os Jogos de 2016 e convertido em potência econômica, o país assume o desafio de erradicar a pobreza

Fonte: El Pais – Espanha.

FRANCHO BARÓN 11/10/2009

Em 1941, o escritor austríaco Stefan Zweig chegou a Rio de Janeiro. Não era consciente, pois havia chegado ao Brasil para consumir o pouco tempo que lhe restava de vida. Antes de suicidar-se no começo de 1942, Zweig culminou um ensaio intitulado “Brasil, um país de futuro”, no que retratou magistralmente um país de grande potencial que algum dia seria um referente econômico e tecnológico no mundo, uma potência emergente que lograria superar o drama da desigualdade e as favelas.

BRASIL A FUNDO

Capital: Brasília.

Governo: República Federal.

População: 191.908.598 (2008)

Todos os êxitos giram em torno à figura do presidente Lula da Silva

•Brasil tem feito avanços sociais sem bater com os ditados do mercado

•A economia tem mostrado uma grande solidez no meio da débâcle geral

•A atividade despegará em 2010, com um crescimento estimado dos 4,5%

•Lula tenta diminuir a influência dos EE UU na economia mundial

•As jazidas de petróleo financiarão programas sociais e educativos

•China se converteu em abril no primeiro sócio comercial do Brasil

•Só a corrupção ameaça borrar um futuro prometedor

Desde então, não poucos tem tachado a obra de Zweig de pouco objetiva, de eurocêntrica e de não ter em conta a crua realidade dum país que ainda tinha as feridas abertas das ocupações coloniais, da tragédia da escravidão e os caciques. Certo é que depois da publicação deste livro viram épocas mais ou menos prósperas, uma ditadura militar de 20 anos que mutilou as liberdades em todo o país e, por fim, a decadência mais absoluta nas últimas duas décadas do século passado, com uma hiperinflação descontrolada e uma desigualdade social que não fez mais que crescer exponencialmente. A violência e o narcotráfico campearão a sua vontade nas principais urbes brasileiras. Os tristemente conhecidos meninos de rua passaram a ser a dramática fotografia do Brasil. O panorama era desalentador e parecia que Zweig houvesse errado em cheio em seus vaticínios.

Foi necessário esperar quase 70 anos para que a visão que teve o autor da Carta duma desconhecida começasse a tornar-se realidade. Hoje, Brasil, um país de futuro poderia revelar-se como uma obra mais atual que nunca, mais também poderia intitular-se perfeitamente Brasil, um país do presente. O confirmam as constantes noticias que surgem sobre o gigante sul-americano: crescimento econômico sustentado, solidez para agüentar a investida da crise financeira, criação imparável de emprego, descobrimento de ingentes quantidades de petróleo em suas profundidades marinas, consolidação de seu tecido industrial, diminuição incessante da desigualdade social com um conseqüente surgimento da denominada nova classe media, liderança política, econômico e militar em Latino-américa...

Faz alguns dias, este rosário de êxitos alcançava seu clímax com a Vitória do Rio de Janeiro na pugna pela sede dos Jogos Olímpicos de 2016, que exigirá um investimento de 14.400 milhões de dólares (quase 10.000 milhões de euros) em melhoras para uma cidade que arrasta como uma cruz a fama de ser um dos lugares mais violentos e inseguros do planeta. O Mundial de Futebol 2014 também se celebrará no Brasil. A euforia e o otimismo estão presentes ao longo e largo do país porque, pela primeira vez em muitas décadas, os brasileiros estão vivendo um momento histórico em que todas as peças parecem encaixar. E todos estes êxitos giram em torno à figura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujos níveis de popularidade superam o 76%. Até Barack Obama o certificou na passada cume do G-20 celebrada em Londres, quando lhe falou a Lula frente a outros líderes: "Este é o homem do momento".

Quais tem sido as claves do êxito da política econômica aplicada pelo ex sindicalista? Seria injusto responder a esta pergunta sem fazer menção ao período de oito anos comandado pelo antecessor de Lula na Presidência, o socialdemocrata Fernando Henrique Cardoso, a pessoa que pôs as bases do ainda vigente modelo econômico baseado em três pilares: um tipo de câmbio flexível, um sistema de obtenção de metas anuais para reduzir progressivamente a inflação e o rigor como principio inquebrantável na gestão das contas públicas.

O Governo brasileiro, que ao iniciar sua gestão suscitou não poucos receios no mundo empresarial, tem demonstrado que se pode levar a cabo um programa político de corte social sem necessidade de entrar em colisão com os ditados do mercado. Muitos acreditaram que o desembarco de Lula poderia supor uma sorte de cubanização de Brasil. E se enganaram. Até Cardoso, que continua militando nas filas da oposição mais feroz ao Partido dos Trabalhadores (PT) de

Lula admitiu recentemente: "Brasil está melhor do que estava e vai a continuar melhorando".

A crise financeira internacional há suposto o batismo de fogo da política econômica do Governo. Pese ao descalabro dos índices de crescimento no último trimestre de 2008 e o primeiro de 2009, a economia brasileira tem demonstrado uma solidez inusitada em meio de uma débâcle geral. Os analistas consultados pelo Banco Central do Brasil (BCB) para a elaboração de suas previsões semanais coincidem em que o país sul-americano fechará o exercício 2009 com uma taxa de crescimento do PIB praticamente nula (0,01%). A noticia não é para nada negativa, sobre tudo si se têm em conta que faz tão só alguns meses os mesmos expertos prognosticaram números vermelhos para este ano. O Banco Central também prevê um despegue definitivo da economia brasileira em 2010, com um crescimento estimado no 4,5%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) é mais comedido: considera que a economia brasileira cairá este ano o 0,7%, para crescer o 3,5% em 2010. Não obstante o FMI tem previsto melhorar essas cifras em só uns dias, quando apresente as perspectivas econômicas da América Latina, que igual que Brasil está capeando bastante bem a crise.

"Temos demonstrado ter musculatura à hora de afrontar a crise econômica. Em quanto no resto do mundo se tem reduzido o emprego, nós vamos fechar este ano com um mínimo de um milhão de novos postos de trabalho", comentou recentemente ante um grupo de jornalistas estrangeiros Dilma Rousseff, número dois do Governo brasileiro e candidata do PT para suceder a Lula nas eleições do próximo ano. O dado está em sintonia com o último informe apresentado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estadística (IBGE), no que se mostra que em 2008 Brasil alcançou seu melhor indicador de desemprego desde 1992. A taxa de desemprego caiu o ano passado a 7,2% e foi acompanhada duma subida considerável da renda per capita mensal, que atingiu os 1.041 reais (algo menos de 400 euros).

Rousseff, ex-guerrilheira e mulher de confiança do atual presidente, que faz duas semanas anunciaram sua alta médica definitiva dum câncer linfático, mencionou também vários indicadores que em seu conjunto configuram um horizonte muito alentador: os analistas estimam que o superávit da balança comercial brasileira atinja aos 25.850 milhões de dólares (17.800 milhões de euros) em 2009. Brasil também mostra umas contas razoavelmente saneadas, com uma dívida pública estimada no44% do PIB em 2009 e umas reservas que acendem a 220.000 milhões de dólares. Ademais, o país sul-americano há obtido o grau de investimento outorgado pelas mais acreditadas agências de qualificação creditícia: Moody's, Standard & Poor's e Fitch, uma espécie de selo de qualidade que se concede aos países que demonstram garantias e segurança para a entrada de capitais estrangeiros.

Sem embargo, essa pujança não está livre de perigos. "Existe o risco de que o atrativo da economia brasileira provoque uma entrada massiva de capitais, e é problemático manejar-se na abundância: em especial, por uma perigosa apreciação do tipo de câmbio do real, que prejudicaria sua competitividade", adverte Nicolás Eyzaguirre, responsável do FMI para o hemisfério ocidental (é dizer, para América). "Mas Brasil se erige claramente como locomotiva de América Latina, tanto por suas matérias primas e sua relação privilegiada com China como por esses deveres feitos em matéria de política macroeconômica", agrega.

Durante os sete anos que Lula leva a frente do Executivo, Brasil tem logrado garantir a estabilidade dos preços, um dos assuntos mais delicados num país no que, desde mediados de oitenta, uma hiperinflação desbocada mutilou a exígua capacidade de consumo das classes menos pudentes (em 1993, a inflação anual alcançou a magnitude dos 2.477%). Através dum sistema de metas para cada exercício, Brasil registra desde 2005 índices de inflação por baixo dos 6% anual. Outro dos grandes acertos atribuíveis aos dois últimos presidentes brasileiros consiste numa política cambiaria ancorada numa flutuação estável do real frente ao dólar. A divisa brasileira leva meses fortalecida com tipos de câmbio por baixo de dois reais por dólar, algo que os mais críticos consideram um grave obstáculo para as exportações. O real se há apreciado mais dos 30% com respeito ao dólar desde finais de março. Não obstante, o destacável superávit que registra Brasil em sua balança comercial contradiz esta tese.

O difícil acesso ao crédito bancário é outro dos assuntos mais candentes neste país, que nas últimas décadas tem tido as taxas de interesse mais altas do mundo. A situação parece que se está revertendo progressivamente com constantes recortes de taxas por parte do Banco Central, até chegar ao cenário atual (tipo básico anual do 8,75%), que se agregam aos estímulos fiscais e monetários. Eyzaguirre, do FMI, é partidário duma retirada gradual desses estímulos uma vez se tem demonstrado que Brasil vai sair da crise como um tiro.

Lula leva meses fazendo campanha para prescindir do dólar como moeda de referência nas operações comerciais entre Brasil e terceiros países. É uma idéia que já há vendido aos presidentes de Argentina, Uruguai, Colômbia e China. Segundo Brasília, o objetivo principal desta manobra consiste em simplificar e baratear as transações eliminando um elo da cadeia cambiária. Sem embargo, atraz esta lógica esmagadora se vislumbra outro argumento de maior calado: a clara intenção de Brasil de diminuir a influência de EE UU na economia mundial. "Não necessitamos o dólar. Por que dois países importantes como China e Brasil tem que usar o dólar como referencia em lugar de suas moedas nacionais? Isto é absurdo, assim como dar-lhe a um só país o poder de imprimir esta moeda. Necessitamos dar-lhe mais valor à moeda chinesa e brasileira”, afirmou Lula no passado maio à revista china Caijing. Esta declaração coincidiu com outra noticia ainda mais inquietante para Washington: um mês antes, China se havia convertido no primeiro sócio comercial de Brasil, desbancando por primeira vez a EE UU.

O FMI defende parcialmente essa tese. "A preponderância do dólar como moeda de reserva internacional e como divisa para as transações comerciais gera certos problemas: se EE UU endurece sua política monetária e restringe sua oferta de dólares, ou se há um colapso no mercado como aconteceu após a falência de Lehman Brothers, desaparece a liquidez em dólares e as economias mais ligadas a esta economia sofrem em demasia", declara Eyzaguirre. Por essa razão, economias como a brasileira acumulam grandes reservas em dólares, que de alguma maneira lastram a recuperação mundial, mas a sua vez supõem um seguro de vida contra crises imprevistas.

Lula é um animal político cuja intuição e olfato para estar em todo momento no lugar indicado está fora de discussão. Desperta a simpatia de Barack Obama, ao tempo que mira a outro lado ante os atropelos do presidente venezuelano Hugo Chávez. Seu carisma e capacidade para agradar a tirios e troianos parece não conhecer limites, quiçá porque tem forjado um estilo muito pessoal de fazer política baseado na moderação. Nunca o há reconhecido abertamente, mas desta maneira leva anos afastando-se de Chávez, que encarna à esquerda sul-americana mais tradicional. Sem embargo, o líder bolivariano continua considerando-lhe dos seus. Lula se há consagrado como o rei da acrobacia política.

Um assunto crucial para o presidente brasileiro é a reforma dos órgãos de Governo de instituições financeiras como o Banco Mundial ou o FMI, que Brasília considera obsoletos e nada representativos da nova ordem planetário. Lula opina que as potências emergentes englobadas no grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) estão infra-representadas nestas instituições e, cada vez que tem a oportunidade, exige modificações urgentes neste sentido. O faz com a autoridade de quem exerce ativamente uma liderança econômica: quando a crise mundial alcançou sua máxima expressão, Brasil anunciou um empréstimo ao FMI por valor de 10.000 milhões de dólares, e desta maneira passou a formar parte do seleto grupo de sócios doadores da instituição. Incluso o FMI é consciente de que esse movimento tectônico da economia mundial dará mais poder aos emergentes. "Trás esta crise, China se há convertido no império oficioso: neste período de transição veremos a grandes potências convertidas em fracas potências, e a fracas potências como os BRIC, convertidos em fortes", sinalava esta semana Niall Ferguson, historiador econômico de Harvard, no cume de outono do FMI em Istambul.

O passado março, o líder brasileiro responsabilizou aos banqueiros "brancos com olhos azuis" do estalido da crise mundial e ao dia de hoje sua opinião não há trocado. Nos foros internacionais, Brasil assume desde faz anos o papel de porta voz oficioso dos países em vias de desenvolvimento, em especial dos latino-americanos e africanos. De fato, nos contubérnios da política brasileira cada vez cobra mais força a tese de que Lula, uma vez abandone o Governo em Janeiro de 2011, poderia lançar uma fundação que teria como objetivo melhorar as condições de vida na África.

Para Brasília, lograr uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, o órgão onde se tomam as verdadeiras decisões e no que, desde sua fundação, só estão representadas as potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial (EE UU, China, França, Reino Unido e Rússia), seria a maneira mais efetiva de que a voz e os interesses do Terceiro Mundo sejam tidos em conta. O argumento esgrimido por Lula para alcançar este objetivo a curto ou meio prazo é a indiscutível liderança brasileira na região sul-americana. Brasil é a primeira economia de América Latina, e esta supremacia se baseia numas sólidas finanças que representam o 57% do capital do subcontinente.

As constantes descobertas petroleiras frente as costas dos Estados de Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo reforçam a tese de que Brasil marcará o passo da região nas próximas décadas. Antes que acabe o ano, Lula pretende aprovar um novo marco legislativo para regular a exploração das enormes bolsas de petróleo cru de excelente qualidade que se encontram no denominado pré-sal, uma zona submarina ultra-profunda situada baixo una grossa capa de sal de dois kilometros de espessura. Este marco estará composto por quatro leis que definirão, entre outros assuntos, as quotas de participação das petroleiras estrangeiras no negócio, a criação duma nova companhia estatal, já batizada como Petrosal, ou as compensações econômicas que receberão os Estados brasileiros onde se situam os mega-campos de cru. Já se sabe que a estatal Petrobras, aparte de ser a operadora privilegiada, terá um mínimo dos 30% das participações em todas as perfurações.

O pré-sal, que, segundo os expertos em energia, representa a galinha brasileira dos ovos de ouro, está predestinado a converter-se na fonte de financiamento dum novo fundo social que sustentará projetos relacionados com a educação, a erradicação da pobreza e o desenvolvimento tecnológico e científico do país. Haverá dinheiro para tudo isto, posto que só em um dos campos, o batizado como Tupi, frente às costas paulistas, se estima que há submersos entre 5.000 e 8.000 milhões de barris de cru ligeiro.

A reduçã0 da pobreza e da desigualdade social tem sido outro dos grandes desafios do Governo durante os últimos anos. O crescimento sustenido e a criação de emprego, acompanhados duma sólida política social cujo talão de Aquiles é o programa de assistência Bolsa Família, tem surtido um efeito inegável: entre 2003 e 2008, 19,3 milhões de pessoas deixaram atrás a miséria e se incorporaram à batizada como nova classe meia, que hoje representa o 53,2% dos brasileiros, segundo dados da Fundação Getulio Vargas.

Não obstante, o trabalho infantil e os excessivos níveis de analfabetismo seguem sendo um problema enquistado no Brasil. Segundo o IBGE, não obstante entre 2007 y 2008 o índice de trabalho infantil melhorou sensivelmente, o ano passado ainda trabalhavam no Brasil quase 4,5 milhões de crianças de idades compreendidas entre 5 e 17 anos. Isto quer dizer que o 10,2% das crianças e adolescentes brasileiros formavam parte da massa trabalhadora do país, em sua maioria de maneira ilegal.

O instituto estadístico aponta um dado ainda mais cruel: muitos destas crianças e adolescentes afrontavam "triples jornadas", que se traduzem em misturar simultaneamente trabalho com estudos (80% dos que trabalham) e com tarefas domésticas (57,1% dos que trabalham e estudam). Pese a una elevada taxa de escolaridade (97,5%), os brasileiros maiores de 15 anos que não sabiam ler nem escrever ainda representavam o 10% da população total do país o ano passado, e analfabetos funcionais havia mais do dobro (21%). A idéia do Governo é que os benefícios do crescente negócio petroleiro contribuíam a reverter estas mais que preocupantes cifras.

Brasil é atualmente a nona economia do planeta, porém segundo o FMI têm o potencial para escalar na lista dos países mais prósperos até situar-se na sexta posição duma nova ordem mundial liderado pelo grupo BRIC. Para que isto suceda, o gigante sul-americano ainda deve demonstrar que sabe aproveitar esta oportunidade única que lhe brinda a história. Com uma população de 192 milhões de habitantes, petróleo em quantidades nunca antes imaginadas e uma democracia consolidada, deveriam ter a capacidade de fazer frente aos desafios que se alçam no horizonte mais imediato.

Só a corrupção, enquistada desde faz décadas na classe política brasileira, representa em si mesma um dragão de sete cabeças que ameaça com dês - desenhar um futuro prometedor. O mesmo futuro que Stefan Zweig sonhou para Brasil faz quase 70 anos. Na semana passada, Lula teve outro sonho: que em 10 anos as favelas se convertam em bairros humildes livres duma violência sem fim. Que a ninguém lhe estranhe se termina fazendo-se realidade.

O esporte como religião

A vitória do Rio de Janeiro na pugna para albergar os Jogos Olímpicos de 2016 chega como o maná num momento de euforia coletiva. Para Brasil, que também organizará o Mundial de Futebol de 2014, o acontecimento representa a quadratura do círculo, já que neste país o esporte é como uma religião mais. Com esta vitória, o presidente Lula da Silva não só tem conseguido inserir por primeira vez a Sul-américa no mapa olímpico, senão também pendurar-se uma medalha outorgada pela comunidade internacional em reconhecimento a uma brilhante gestão de sete anos. Com tamanho resultado, o ex sindicalista há ingressado definitivamente no Olímpio dos líderes mais valorisados e influentes do planeta.

A realidade é que muitos brasileiros tinham Fé cega em que Rio conseguiria alçar-se com a vitória em Copenhague. A cidade está tocada por uma beleza natural incomparável, e não obstante ainda há muito trabalho por diante, o dinheiro do petróleo descoberto frente aos litorais de três Estados brasileiros garante os recursos necessários para a execução dumas faraônicas obras. O capital humano carioca também será decisivo para o êxito do conclave olímpico: os vizinhos da cidade maravilhosa são otimistas e resolvidos por natureza. Não em vão, a revista Forbes acaba de escolher a Rio de Janeiro como a cidade mais feliz do planeta.

Brasil já há anunciado um mega-investimento público e privado em infra-estrutura no valor de 14.400 milhões de dólares (quase 10.000 milhões de euros). O dinheiro será destinado a culminar as obras do metrô do Rio, novas instalações esportivas, duplicar as praças hoteleiras, melhoras urbanísticas e reforço da seguridade na cidade. De cumprir estes objetivos, Rio poderia sacudir-se definitivamente o estigma de ser uma das cidades mais violentas do mundo.

Brasil está en todas

Premiado con los Juegos de 2016 y convertido en potencia económica, el país asume el reto de erradicar la pobreza

FRANCHO BARÓN 11/10/2009

En 1941, el escritor austriaco Stefan Zweig recaló en Río de Janeiro. No era consciente, pero había llegado a Brasil para consumir el poco tiempo que le quedaba de vida. Antes de suicidarse a comienzos de 1942, Zweig culminó un ensayo titulado Brasil, un país de futuro, en el que retrató magistralmente un país de gran potencial que algún día sería un referente económico y tecnológico en el mundo, una potencia emergente que lograría superar el drama de la desigualdad y las favelas.

Brasil

A FONDO

Capital: Brasilia.

Gobierno:República Federal.

Población:191,908,598 (2008)

•Todos los éxitos giran en torno a la figura del presidente Lula da Silva

•Brasil ha hecho avances sociales sin colisionar con los dictados del mercado

•La economía ha mostrado una gran solidez en medio de la debacle general

•La actividad despegará en 2010, con un crecimiento estimado del 4,5%

•Lula intenta mermar la influencia de EE UU en la economía mundial

•Los yacimientos de petróleo financiarán programas sociales y educativos

•China se convirtió en abril en el primer socio comercial de Brasil

•Sólo la corrupción amenaza con desdibujar un futuro prometedor

Desde entonces, no pocos han tachado la obra de Zweig de poco objetiva, de euro céntrica y de no tener en cuenta la cruda realidad de un país que aún tenía las heridas abiertas de las ocupaciones coloniales, de la tragedia de la esclavitud y los caciques. Cierto es que después de la publicación de este libro vinieron épocas más o menos prósperas, una dictadura militar de 20 años que mutiló las libertades en todo el país y, por fin, la decadencia más absoluta en las últimas dos décadas del siglo pasado, con una hiperinflación descontrolada y una desigualdad social que no hizo más que crecer exponencialmente. La violencia y el narcotráfico camparon a sus anchas en las principales urbes brasileñas. Los tristemente conocidos meninos da rua pasaron a ser la dramática fotografía de Brasil. El panorama era desalentador y parecía que Zweig hubiese errado de lleno en sus vaticinios.

Ha sido necesario esperar casi 70 años para que la visión que tuvo el autor de Carta de una desconocida comience a tornarse en realidad. Hoy, Brasil, un país de futuro podría revelarse como una obra más actual que nunca, aunque también podría titularse perfectamente Brasil, un país de presente. Lo confirman las constantes noticias que surgen sobre el gigante suramericano: crecimiento económico sostenido, solidez para aguantar la embestida de la crisis financiera, creación imparable de empleo, descubrimiento de ingentes cantidades de petróleo en sus profundidades marinas, consolidación de su tejido industrial, disminución incesante de la desigualdad social con un consecuente surgimiento de la denominada nueva clase media, liderazgo político, económico y militar en Latinoamérica...

Hace algunos días, este rosario de éxitos alcanzaba su clímax con la victoria de Río de Janeiro en la pugna por la sede de los Juegos Olímpicos de 2016, que supondrá una inversión de 14.400 millones de dólares (casi 10.000 millones de euros) en mejoras para una ciudad que arrastra como una cruz la fama de ser uno de los lugares más violentos e inseguros del planeta. El Mundial de Fútbol 2014 también se celebrará en Brasil. La euforia y el optimismo están presentes a lo largo y ancho del país porque, por primera vez en muchas décadas, los

brasileños están viviendo un momento histórico en el que todas las piezas parecen encajar. Y todos estos éxitos giran en torno a la figura del presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuyos niveles de popularidad superan el 76%. Hasta Barack Obama lo certificó en la pasada cumbre del G-20 celebrada en Londres, cuando le espetó a Lula frente a otros líderes: "Éste es el hombre del momento".

¿Cuáles han sido las claves del éxito de la política económica aplicada por el ex sindicalista? Sería injusto responder a esta pregunta sin hacer mención al periodo de ocho años comandado por el antecesor de Lula en la Presidencia, el socialdemócrata Fernando Henrique Cardoso, la persona que puso las bases del aún vigente modelo económico basado en tres pilares: un tipo de cambio flexible, un sistema de consecución de metas anuales para reducir progresivamente la inflación y el rigor como principio inquebrantable en la gestión de las cuentas públicas.

El Gobierno brasileño, que al iniciar su gestión suscitó no pocos recelos en el mundo empresarial, ha demostrado que se puede llevar a cabo un programa político de corte social sin necesidad de entrar en colisión con los dictados del mercado. Muchos creyeron que el desembarco de Lula podía suponer una suerte de cubanización de Brasil. Y se equivocaron. Hasta Cardoso, que continúa militando en las filas de la oposición más feroz al Partido de los Trabajadores (PT) de Lula, admitió recientemente: "Brasil está mejor de lo que estaba y va a continuar mejorando".

La crisis financiera internacional ha supuesto el bautismo de fuego de la política económica del Gobierno. Pese al descalabro de los índices de crecimiento en el último trimestre de 2008 y el primero de 2009, la economía brasileña ha demostrado una solidez inusitada en medio de una debacle general. Los analistas consultados por el Banco Central de Brasil (BCB) para la elaboración de sus previsiones semanales coinciden en que el país suramericano cerrará el ejercicio 2009 con una tasa de crecimiento del PIB prácticamente nula (0,01%). La noticia no es para nada negativa, sobre todo si se tiene en cuenta que hace tan sólo algunos meses los mismos expertos pronosticaron números rojos para este año. El Banco Central también prevé un despegue definitivo de la economía brasileña en 2010, con un crecimiento estimado en el 4,5%. El Fondo Monetario Internacional (FMI) es más comedido: considera que la economía brasileña caerá este año el 0,7%, para crecer el 3,5% en 2010. Aunque el FMI tiene previsto mejorar esas cifras en sólo unos días, cuando presente las perspectivas económicas de América Latina, que al igual que Brasil está capeando bastante bien la crisis.

"Hemos demostrado tener musculatura a la hora de afrontar la crisis económica. Mientras en el resto del mundo se ha reducido el empleo, nosotros vamos a cerrar este año con un mínimo de un millón de nuevos puestos de trabajo", comentó recientemente ante un grupo de corresponsales extranjeros Dilma Rousseff, número dos del Gobierno brasileño y candidata del PT para suceder a Lula en las elecciones del próximo año. El dato está en sintonía con el último informe presentado por el Instituto Brasileño de Geografía y Estadística (IBGE), en el que se muestra que en 2008 Brasil alcanzó su mejor indicador de paro desde 1992. La tasa de desempleo cayó el año pasado hasta el 7,2% y fue acompañada de una subida considerable de la renta per cápita mensual, que llegó a los 1.041 reales (algo menos de 400 euros).

Rousseff, ex guerrillera y mujer de confianza del actual presidente, que hace dos semanas anunció su curación definitiva de un cáncer linfático, mencionó también varios indicadores que en su conjunto configuran un horizonte muy alentador: los analistas estiman que el superávit de la balanza comercial brasileña llegará a los 25.850 millones de dólares (17.800 millones de euros) en 2009. Brasil también muestra unas cuentas razonablemente saneadas, con una deuda pública estimada en el 44% del PIB en 2009 y unas reservas que ascienden a 220.000 millones de dólares. Además, el país suramericano ha obtenido el grado de inversión otorgado por las más acreditadas agencias de calificación crediticia: Moody's, Standard & Poor's y Fitch, una especie de sello de calidad que se concede a los países que demuestran garantías y seguridad para la entrada de capitales extranjeros.

Sin embargo, esa pujanza no está exenta de peligros. "Existe el riesgo de que el atractivo de la economía brasileña provoque una entrada masiva de capitales, y es problemático manejarse en la abundancia: en especial, por una peligrosa apreciación del tipo de cambio del real, que perjudicaría su competitividad", advierte Nicolás Eyzaguirre, responsable del FMI para el hemisferio occidental (es decir, para América). "Pero Brasil se erige claramente como locomotora de América Latina, tanto por sus materias primas y su relación privilegiada con China como por esos deberes hechos en materia de política macroeconómica", añade.

Durante los siete años que Lula lleva al frente del Ejecutivo, Brasil ha logrado garantizar la estabilidad de los precios, uno de los asuntos más delicados en un país en el que, desde mediados de los ochenta, una hiperinflación desbocada mutiló la exigua capacidad de consumo de las clases menos pudientes (en 1993, la inflación anual alcanzó la friolera del 2.477%). A través de un sistema de metas para cada ejercicio, Brasil registra desde 2005 índices de inflación por debajo del 6% anual. Otro de los grandes aciertos atribuibles a los dos últimos presidentes brasileños consiste en una política cambiaria anclada en una fluctuación estable del real frente al dólar. La divisa brasileña lleva meses fortalecida con tipos de cambio por debajo de dos reales por dólar, algo que los más críticos consideran un grave obstáculo para las exportaciones. El real se ha apreciado más del 30% respecto al dólar desde finales de marzo. No obstante, el destacable superávit que registra Brasil en su balanza comercial contradice esta tesis.

El difícil acceso al crédito bancario es otro de los asuntos más candentes en este país, que en las últimas décadas ha tenido los tipos de interés más altos del mundo. La situación parece que se está revirtiendo progresivamente con constantes recortes de tipos por parte del Banco Central, hasta llegar al escenario actual (tipo básico anual del 8,75%), que se añaden a los estímulos fiscales y monetarios. Eyzaguirre, del FMI, es partidario de una retirada gradual de esos estímulos una vez se ha demostrado que Brasil va a salir de la crisis como un tiro.

Lula lleva meses haciendo campaña para prescindir del dólar como divisa de referencia en las operaciones comerciales entre Brasil y terceros países. Es una idea que ya ha vendido a los presidentes de Argentina, Uruguay, Colombia y China. Según Brasilia, el objetivo principal de esta maniobra consiste en simplificar y abaratar las transacciones eliminando un eslabón de la cadena cambiaria. Sin embargo, tras esta lógica aplastante se vislumbra otro argumento de mayor calado: la clara intención de Brasil de mermar la influencia de EE UU en la economía mundial. "No necesitamos el dólar. ¿Por qué dos países importantes como China y Brasil tienen que usar el dólar como referencia en lugar de sus monedas nacionales? Esto es absurdo, así como darle a un solo país el poder de imprimir esta moneda. Necesitamos darle más valor a las monedas china y brasileña", afirmó Lula el pasado mayo a la revista china Caijing. Esta declaración coincidió con otra noticia aún más inquietante para Washington: un mes antes, China se había convertido en el primer socio comercial de Brasil, desbancando por primera vez a EE UU.

El FMI defiende parcialmente esa tesis. "La preponderancia del dólar como moneda de reserva internacional y como divisa para las transacciones comerciales genera ciertos problemas: si EE UU endurece su política monetaria y restringe su oferta de dólares, o si hay un colapso en el mercado como ocurrió tras la quiebra de Lehman Brothers, desaparece la liquidez en dólares y las economías más ligadas a esta economía sufren en demasía", declara Eyzaguirre. Por esa razón, economías como la brasileña acumulan grandes reservas en dólares, que de alguna manera lastran la recuperación mundial, pero a la vez suponen un seguro de vida contra crisis imprevistas.

Lula es un animal político cuya intuición y olfato para estar en todo momento en el lugar indicado está fuera de discusión. Despierta la simpatía de Barack Obama, al tiempo que mira hacia otro lado ante las tropelías del presidente venezolano Hugo Chávez. Su carisma y capacidad para agradar a tirios y troyanos parece no conocer límites, quizá porque ha forjado un estilo muy personal de hacer política basado en la moderación. Nunca lo ha reconocido abiertamente, pero de esta manera lleva años desmarcándose de Chávez, que encarna a la izquierda suramericana más tradicional. Sin embargo, el líder bolivariano continúa considerándolo de los suyos. Lula se ha consagrado como el rey del funambulismo político.

Un asunto crucial para el presidente brasileño es la reforma de los órganos de Gobierno de instituciones financieras como el Banco Mundial o el FMI, que Brasilia considera obsoletos y nada representativos del nuevo orden planetario. Lula opina que las potencias emergentes englobadas en el grupo BRIC (Brasil, Rusia, la India y China) están infrarrepresentadas en estas instituciones y, cada vez que tiene la oportunidad, exige modificaciones urgentes en este sentido. Lo hace con la autoridad de quien ejerce activamente un liderazgo económico: cuando la crisis mundial alcanzó su máxima expresión, Brasil anunció un préstamo al FMI por valor de 10.000 millones de dólares, y de esta manera pasó a formar parte del selecto grupo de socios donantes de la institución. Incluso el FMI es consciente de que ese movimiento tectónico de la economía mundial dará más poder a los emergentes. "Tras esta crisis, China se ha convertido ya en el imperio oficioso: en este periodo de transición veremos a grandes potencias convertidas en débiles potencias, y a débiles potencias, como los BRIC, convertidos en fuertes", señalaba esta semana Niall Ferguson, historiador económico de Harvard, en la cumbre de otoño del FMI en Estambul.

El pasado marzo, el líder brasileño responsabilizó a los banqueros "blancos con ojos azules" del estallido de la crisis mundial y a día de hoy su opinión no ha cambiado. En los foros internacionales, Brasil asume desde hace años el papel de portavoz oficioso de los países en vías de desarrollo, en especial de los latinoamericanos y africanos. De hecho, en los contubernios de la política brasileña cada vez cobra más fuerza la tesis de que Lula, una vez abandone el Gobierno en enero de 2011, podría lanzar una fundación que tendría como objetivo mejorar las condiciones de vida en África.

Para Brasilia, lograr un asiento en el Consejo de Seguridad de la ONU, el órgano donde se toman las verdaderas decisiones y en el que, desde su fundación, sólo están representadas las potencias vencedoras de la Segunda Guerra Mundial (EE UU, China, Francia, Reino Unido y Rusia), sería la manera más efectiva de que la voz y los intereses del Tercer Mundo sean tenidos en cuenta. El argumento esgrimido por Lula para alcanzar este objetivo a corto o medio plazo es el indiscutible liderazgo brasileño en la región suramericana. Brasil es la primera economía de América Latina, y esta supremacía se asienta en unas sólidas finanzas que representan el 57% del capital del subcontinente.

Los constantes hallazgos petrolíferos frente a las costas de los Estados de Espíritu Santo, Río de Janeiro y São Paulo apuntalan la tesis de que Brasil marcará el paso de la región en las próximas décadas. Antes de que acabe el año, Lula pretende aprobar un nuevo marco legislativo para regular la explotación de las enormes bolsas de crudo de excelente calidad que se encuentran en el denominado presal, una zona submarina ultra profunda situada bajo una gruesa capa de sal de dos kilómetros de espesor. Este marco estará compuesto por cuatro leyes que definirán, entre otros asuntos, las cuotas de participación de las petroleras extranjeras en el negocio, la creación de una nueva compañía estatal,

ya bautizada como Petrosal, o las compensaciones económicas que recibirán los Estados brasileños donde se sitúan los mega campos de crudo. Ya se sabe que la estatal Petrobras, aparte de ser la operadora privilegiada, tendrá un mínimo del 30% de las participaciones en todas las perforaciones.

El presal, que, según los expertos en energía, representa la gallina brasileña de los huevos de oro, está predestinado a convertirse en la fuente de financiación de un nuevo fondo social que sustentará proyectos relacionados con la educación, la erradicación de la pobreza y el desarrollo tecnológico y científico del país. Habrá dinero para todo ello, puesto que sólo en uno de los campos, el bautizado como Tupí, frente a las costas paulistas, se estima que hay sumergidos entre 5.000 y 8.000 millones de barriles de crudo ligero.

La reducción de la pobreza y de la desigualdad social ha sido otro de los grandes retos del Gobierno durante los últimos años. El crecimiento sostenido y la creación de empleo, acompañados de una sólida política social cuyo talón de Aquiles es el programa de asistencia Bolsa Familia, han surtido un efecto innegable: entre 2003 y 2008, 19,3 millones de personas dejaron atrás la miseria y se incorporaron a la bautizada como nueva clase media, que hoy representa el 53,2% de los brasileños, según datos de la Fundación Getulio Vargas.

No obstante, el trabajo infantil y los excesivos niveles de analfabetismo siguen siendo un problema enquistado en Brasil. Según el IBGE, aunque entre 2007 y 2008 el índice de trabajo infantil mejoró sensiblemente, el año pasado aún trabajaban en Brasil casi 4,5 millones de niños de edades comprendidas entre 5 y 17 años. Esto quiere decir que el 10,2% de los niños y adolescentes brasileños formaban parte de la masa trabajadora del país, en su mayoría de manera ilegal.

El instituto estadístico apunta un dato aún más sangrante: muchos de estos niños y adolescentes afrontaban "triples jornadas", que se traducen en simultanear trabajo con estudios (80% de los que trabajan) y con tareas domésticas (57,1% de los que trabajan y estudian). Pese a una elevada tasa de escolaridad (97,5%), los brasileños mayores de 15 años que no sabían leer ni escribir aún representaban el 10% de la población total del país el año pasado, y analfabetos funcionales había más del doble (21%). La idea del Gobierno es que los beneficios del boyante negocio petrolífero contribuyan a revertir estas más que preocupantes cifras.

Brasil es actualmente la novena economía del planeta, pero según el FMI tiene el potencial para escalar en la lista de los países más prósperos hasta situarse en la sexta posición de un nuevo orden mundial liderado por el grupo BRIC. Para que esto suceda, el gigante suramericano aún debe demostrar que sabe aprovechar esta oportunidad única que le brinda la historia. Con una población de 192 millones de habitantes, petróleo en cantidades nunca antes imaginadas y una democracia consolidada, debería tener la capacidad de hacer frente a los retos que se alzan en el horizonte más inmediato.

Sólo la corrupción, enquistada desde hace décadas en la clase política brasileña, representa en sí misma un dragón de siete cabezas que amenaza con desdibujar un futuro prometedor. El mismo futuro que Stefan Zweig soñó para Brasil hace casi 70 años. La semana pasada, Lula tuvo otro sueño: que en 10 años las favelas se conviertan en barrios humildes libres de una violencia sinfín. Que a nadie le extrañe si termina haciéndose realidad.

El deporte como religión

La victoria de Río de Janeiro en la pugna para albergar los Juegos Olímpicos de 2016 llega como el maná en un momento de euforia colectiva. Para Brasil, que también organizará el Mundial de Fútbol de 2014, el acontecimiento representa la cuadratura del círculo, ya que en este país el deporte es como una religión más. Con esta victoria, el presidente Lula da Silva no sólo ha conseguido poner por primera vez a Suramérica en el mapa olímpico, sino también colgarse una medalla otorgada por la comunidad internacional en reconocimiento a una brillante gestión de siete años. Con tamaño colofón, el ex sindicalista ha ingresado definitivamente en el Olimpo de los líderes más valorados e influyentes del planeta.

La realidad es que muchos brasileños tenían fe ciega en que Río conseguiría alzarse con la victoria en Copenhague. La ciudad está tocada por una belleza natural incomparable, y aunque aún hay mucho trabajo por delante, el dinero del petróleo descubierto frente a los litorales de tres Estados brasileños garantiza los recursos necesarios para la ejecución de unas faraónicas obras. El capital humano carioca también será decisivo para el éxito del cónclave olímpico: los vecinos de la ciudad maravillosa son optimistas y resueltos por naturaleza. No en vano, la revista Forbes acaba de escoger a Río de Janeiro como la ciudad más feliz del planeta.

Brasil ya ha anunciado una mega inversión pública y privada en infraestructura por valor de 14.400 millones de dólares (casi 10.000 millones de euros). El dinero irá destinado a culminar las obras del metro de Río, nuevas instalaciones deportivas, duplicar las plazas hoteleras, mejoras urbanísticas y refuerzo de la seguridad en la ciudad. De cumplirse estos objetivos, Río podría sacudirse definitivamente el estigma de ser una de las ciudades más violentas del mundo.

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