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terça-feira, 18 de agosto de 2009

RSE - ETICA EMPRESARIAL


Ética empresarial: Moda ou demanda social?

Autor: Lonko

A IDEIA DE RESPONSABILIDADE social da empresa privada (RSE) avança

mundialmente. A ONU lançou um Pacto Global a respeito, a União Européia um

livro verde sobre ela. Inglaterra criou um Ministério de RSE. Em USA as empresas

competem por um lugar no ranking de reputação empresarial.

TRATA-SE DUMA MODA PASSAGEIRA? Tudo indica que não, que responde a vigorosas demandas sociais. Sociedades cada vez mais participativas pressionam por Padrões

Éticos públicos e corporativos mais exigentes. Advertem que a empresa privada é um ator econômico decisivo e lhe pedem jogo limpo com os consumidores, bom trato a seu

pessoal, cuidado do meio ambiente e compromisso com causas de interesse público.

Hardy (Harvard) diz que "as empresas deverão tomar a liderança em meio ambiente e sustentabilidade social em lugar de deixar sempre que as coloquem na defensiva".

Por outra parte os consumidores cobram. Um terço dos de USA dão grande peso ao

comparar à relação da empresa com meio ambiente e valores. Não se conformam já

com mera publicidade institucional. Como adverte Ogilvy ela lhes resulta "pomposa, auto-suficiente e arrogante". Querem fatos.

A ESTAS DEMANDAS se somam os pequenos inversores. Têm motivos. A fraude de

Enron lhes fez perder 50.000 milhões de dólares. Casos como WorldCom, Parmalat e

outros mostraram os riscos de corrupção corporativa. Reclamam por novas leis, e um re-enfoque da educação empresarial. Estão fortalecendo novos fundos que investem

em empresas éticas como o exitoso índice ético nórdico, o Domini 400, social índex de

USA e outros similares.

Estas pressões crescem. Uma pesquisa de Delloitte e Euronext em Europa conclui que

"o bom desempenho meio-ambiental e social da empresa influenciará fortemente no

futuro de sua marca e reputação, seu rendimento econômico e seu valor de mercado".

A RSE é também clave para a competitividade. Segundo estudos permite atrair pessoal

mais capaz, e gera um maior compromisso laboral.

NA AMERICA LATINA plena em riquezas potenciais, mas ao mesmo tempo em pobreza,

(44% de sua população são pobres, 190.000 mortes de crianças anuais evitáveis devidas à pobreza), se requerem políticas públicas de primeira qualidade, bem gerenciadas, e transparentes que encarem a pobreza, e a ação de empresas responsáveis, e organizações voluntárias. Tem havido avanços em RSE, mas se está longe dos progressos mundiais e as demandas. No Chile 50% dos consumidores considera hoje à RSE o principal fator ao

formar-se uma impressão duma empresa, na Argentina mais da metade das pessoas estão dispostas a pagar mais por produtos de empresas socialmente responsáveis.

É HORA DE RECUPERAR o tempo perdido e impulsionar esta via renovadora. Em

definitiva significa por em prática a visão moral bíblica que exige que cada um se faça

responsável pelos demais.

Parte superior do formulário

RSE


– UMA OPÇÃO DE TROCA IMPOSTERGÁVEL.

Neste trabalho se responde a um conjunto de questões associadas à Responsabilidade Social Empresarial (RSE) que constituem em si pontos comuns de encontro e desencontro de critérios.

Qual é o papel do Estado à hora de criar um ambiente propício à RSE? Até onde estão às empresas obrigadas a atuar em

beneficio da sociedade? Tem o setor privado um compromisso real, ou forma parte de sua estratégia para criar-se imagem?

A esta, entre outras perguntas, é de interesse fazer frente deixando claro que a Responsabilidade Social Empresarial ou

corporativa constitui uma das claves para explicar o necessário porvir do setor empresarial, o novo cenário em que se

desempenham as organizações sociais e a tendência para onde temos de orientar nossos passos.

I. Qual é o rol papel do Estado à hora de criar um ambiente propício para a RSE?

Certamente o Estado pode e deve fazer muito para propiciar a RSE. O primeiro alinhar-se com sua filosofia assentada no

compromisso e a democracia, para não impor senão orientar, sensibilizar e premiar consistentemente o desempenho das organizações nesta direção.

Por suposto, se requer continuar aperfeiçoando as ferramentas legais que regulem aspectos clave como a proteção

meio-ambiental, a segurança no trabalho, políticas laborais e salariais, etc. Este é um mínimo regulamentário

imprescindível e de interesse estratégico.

Também o Estado terá que continuar apoiando e convidando a aplicação de normas e modelos de excelência na gestão

empresarial, todos favorecem em maior ou menor grau a responsabilidade social das empresas.

Por outro lado, o estimular formas organizativas centradas na associação cooperativa, um antecedente histórico importante

da RSE, à vez que se une a um esquema de autogoverno regional, tem sido a opção estratégica de alguns países onde poderiam esperar-se bons resultados. Em verdade se pode ser muito criativo se temos os princípios claros.

Convocar à “Nova Cultura de Empresa” deviera ser, é em definitivo, o ingrediente mais autentico e insistente do discurso

público, e o distintivo do caráter visionário da gestão governamental que privilegia a RSE.

II. È necessário que o Estado regule a atividade das empresas em matéria de RSE? Onde quedaria a voluntariedade?

Esta pergunta se conecta à anterior e a complementa.


“Voluntariedade”, é um tema central quando queremos pensar na RSE. Ser responsável em principio é um ato de

amadurecimento, um ato de amor, de compreensão e entrega; nunca será a resposta que demos às exigências externas.

Isso o enxergamos a muito e ao instante se desvirtua a intenção original.

Quiçá convenha referirmos a essa leitura que define um marco no campo da RSE, o Livro Verde da Comissão

da Comunidade Européia (2001) onde se manifesta claramente que RSE é

"A integração voluntária, por parte das empresas, das preocupações sociais e meio-ambientais em suas operações

“comerciais e suas relações com todos seus interlocutores”.

È impossível prescindir do caráter voluntario da RSE, a um rasgo intrínseco a ela, supõe o mais alto nível de compromisso

e o Estado deverá trabalhar por fomentar-lo recordando o velho provérbio:

“Podemos levar o cavalo ao rio, mas não fazer-lhe beber”.

III. Dentro das práticas de RSE, têm o setor privado um compromisso real com o meio ambiente e a sociedade, ou forma parte

de sua estratégia para criar-se uma imagem?

Opino que não está no tipo de propriedade (estatal ou privada) o xis desta questão, ainda poderia influir si analisamos a

pergunta desde uma perspectiva basicamente teórica. Sem embargo é um fato que em ambos dos casos pode estar ausente o compromisso real. Todos o haveremos visto, têm mais a ver com a liderança que se pratica os valores e cultura

organizacional que definem a empresa.

Gostaria trazer a colação, ainda existam exemplos contemporâneos paradigmáticos, um caso que se cita como memória

histórica importante da RSE. Refiro-me à comunidade industrial que Robert Owen cria pelo ano 1820 em New Lanark. Aí, em plena Revolução Industrial, a cooperação e o apoio mutuo eram as normas. Este líder empresarial introduz múltiplas medidas de

bem-estar, saúde pública, educação, erradicou o trabalho infantil. Estava convencido que o ser humano é um resultado das influências que recebe no seio social e se esforçou por suprimir vícios e modificar a conduta de sua gente. Aquela comunidade industrial ha sido declarada com direito Patrimônio da Humanidade e é um monumento à RSE.

Mas poderemos encontrar, paradoxalmente, empresas estatais que tentam apenas “ficar bem” com seus “compromissos

“sociais” e exibem um formalismo arrepiante, ademais de ressentir-se. Tenho a certeza que quando se impõe a RSE se exacerba

no empresariado o afã de lucro e o sentido meramente especulativo do negócio.

Por outra parte, não parece necessário estabelecer una dicotomia entre RSE e “marketing com causa”. A RSE integra meio

ambiente, condições de trabalho, qualidade… e também por que não competitividade.

RSE supõe a “boa governança organizacional”, a extinção de hierarquias piramidais e rígidas, a autocracia e burocracia

empresarial, em favor da Democracia Corporativa. Implica um espírito de cooperação com clientes, provedores, competidores, governos; um conceito de Cidadania Corporativa enquanto compromisso da empresa com a comunidade à que pertence. Todas

estas são nítidas variáveis de competitividade dentro do mundo empresarial moderno. Ademais de agilizar a gestão, viabilizar

o câmbio e o aprendizado organizacional, respondem e aproveitam as expectativas que gera a RSC para obter vantagens competitivas.

“Parecer ou ser?” definitivamente não é uma pergunta válida quando falamos de genuína RSE.

IV. Até que ponto está a empresa obrigada a atuar em beneficio da sociedade?

Uma empresa deve atuar em beneficio da sociedade a um 110 %. Não desejo imaginar-me a situação de querer ser cooperativo

e envolver-me “só um pouco, com prudência”. As conseqüências seriam fatais e a hipocrisia enorme.

As empresas hão nascido com vocação de serviço. Não só estão chamadas a gerar bens e serviços com um valor social de uso,

são comunidades de pessoas orientadas a um fim, educam valores e isto é sumamente importante considerar-lo. Numa

empresa podemos alienar-nos até a enfermidade ou despertar com uma ação de formação e desenvolvimento, uma tutoria e retroalimentação que nos leve a cambiar mais além do âmbito organizacional mesmo fazendo-nos melhores pessoas. Numa

empresa podemos encontrar uma qualidade de vida, compensações e um apoio ausente muitas vezes em outros espaços

sociais.

Mas a RSE é uma necessidade de maiores magnitudes. Observemos que a fatoração de muitas multinacionais supera o PIB

de vários países em vias de desenvolvimento. Esperamos das empresas, não importa seu tamanho, o início de ações sérias para resolver tantos problemas de desigualdade e sustentabilidade social, que ponham em prática medidas para conseguir a

salvação meio-ambiental do planeta. É grave o deterioro meio-ambiental do planeta, com alguns dos países mais desenvolvidos

à cabeça da contaminação, em tanto os mais pobres degradam os recursos naturais que lhes quedam. Este é um tema cada vez

mais na mira da opinião pública global e a solução está como nunca nas mãos dum novo tipo de empresário, um homem novo.

V. Quem está realizando maiores esforços no relacionado com a RSE?

Atendendo a que a compreensão moderna da RSE tem sua origem na Europa e nos Estados Unidos, é lógico que olhemos nessa direção, mas pessoalmente me entusiasma mais o que acontece em Latino América aonde entre crise e tradições a RSE vai

forjando um âmbito que se consolida. Aqui existe uma diversidade de compreensões sobre o alcance do tema, mas a

responsabilidade da empresa frente à sociedade aparece com freqüência na linguagem dos empresários e na agenda da

sociedade.

Este desenvolvimento ao que aponto se põe de manifesto em objetivos de trabalho que coincidem em temas como: a ética empresarial, a qualidade de vida (no interior das empresas), a vinculação e compromisso com a comunidade e seu

desenvolvimento, o cuidado e preservação do meio ambiente, e a intenção de formar um novo empresariado mais consciente e proativo ao respeito.

Autor: Lic. Rodeloy Castellanos Crúz

Robert Owen e a RSE.


A trajetória de vida de Robert Owen

Nascido em 14 de maio de 1771, a infância e juventude de Owen, em Newtown,

Montgomeryshire, região do norte do País de Gales, coincide com a súbita e vasta expansão

dos processos de manufatura do algodão no Reino Unido. Filho de um agente de correios

que detinha um pequeno comércio, quando criança tinha paixão pela leitura e, aos sete anos,

havia recebido toda a instrução possível naquele tempo e lugar. Por volta dos oito, a partir

da familiaridade de um adolescente que estudava em Oxford, com quem costumava

caminhar pelos bosques de Newtown, Owen adquiriu sensibilidade para a beleza da natureza.

Aos nove, deixou a escola, após um período atuando como monitor, e foi trabalhar como

vendedor numa loja, sem remuneração, conforme supõe Sargant (1860).

Após tutela provisória de um irmão, ao final de seis semanas passou a viver com a

família McGuffog, em Stamford, aos dez anos. O mestre McGuffog, que havia começado a

vida como vendedor ambulante e economizado algum dinheiro, mantinha loja comercial

com ampla reputação de vender produtos de elevado padrão de qualidade a preços baixos.

Tratava-se de homem honesto, metódico, liberal e de bom coração. No período de quatro

anos, Owen foi introduzido ao mundo dos negócios, tendo sido esta experiência de grande

valia para a sua trajetória particular de vida (SARGANT, 1860).

Aos quatorze anos mudou-se para Londres e trabalhou em loja comercial, estabelecida

para vender mercadorias sob preços populares e que, por essa razão, possuía elevado

número de clientes. A jornada era longa, iniciada às oito da manhã e, em alguns períodos do ano,

estendida até às duas da manhã seguinte. Pouco tempo depois, mediante proposta de melhor salário,

foi para Manchester, lá permanecendo na atividade de vendedor até os dezoito anos.

O rumo empreendedor tem início a partir do convite para a constituição de uma sociedade,

o que aguçou a ambição de Owen. De imediato, contraiu empréstimo junto a um irmão em Londres

para a abertura de uma fábrica de máquina de fiação, sob acordo de rateio de

metade do lucro. Quarenta homens foram contratados para trabalhar em madeira, ferro e

bronze. Owen ficou encarregado pela administração financeira e contábil do negócio.

Um ano depois, desfez a sociedade e abriu fábrica própria, tendo desistido do negócio

no ano seguinte para trabalhar como administrador para o rico empresário Drinkwater.

Tratava-se de empreendimento experimental na fiação do algodão, com quinhentos

trabalhadores. Owen teve, aos vinte anos, de encontrar respostas para problemas que

envolviam compra de matéria-prima, produção e fiação do algodão, pagamento de salários,

venda do produto final e gestão contábil-financeira. Nesse momento, a experiência adquirida

em Stamford mostrou-se importante, tanto pelo zelo à honestidade e à ordem, quanto pela

familiaridade com fábricas de excelência em qualidade – habilidades agora exigidas.

Após análise do sistema de produção, Owen aprimorou a maquinaria propiciando a

fabricação de um tipo de fio com espessura até então desconhecida. A satisfação do

milionário com o trabalho do jovem administrador resultou no convite para a composição

de sociedade da qual participariam, também, dois filhos. Ficou acordada a distribuição

eqüitativa de ¼ do lucro por sócio e o uso da marca Owen nas mercadorias manufaturadas.

O progresso no sistema fabril, a constatação da integridade moral e da habilidade nos

negócios levou o milionário Drinkwater a propor a Owen o casamento com sua filha e,

mediante a não aceitação, a sociedade foi desfeita. Owen, contudo, ficara conhecido pelas

inovações promovidas na fiação do algodão o que, na opinião de Sargant (1860), se torna a

fonte de sua fortuna. Outra leitura, entretanto, indica que fatores distintos explicam a

fortuna de Owen. Para Pollard (1968), como vantagem competitiva Owen foi hábil em conquistar

a cooperação dos empregados. Pagou-lhes salários atrativos – política distante daquela em vigor –

de forma que o seu sucesso pode ser creditado à capacidade de manejar técnicas administrativas que

foram, naquela época, completamente diferentes das experiências dos pioneiros da nova forma de

organização social. Assim, quando Owen se mudou de Manchester para New Lanark, dispunha de uma

compreensão dos processos administrativos da gestão fabril que deve ter sido, em grande parte, única

naquele tempo.

Depois do desmantelamento da sociedade com Drinkwater e um período de transição –

em atividades fabris não estáveis – Owen teve oportunidade acidental de visitar New Lanark, primitiva vila

na Escócia cujo diferencial era a disponibilidade de queda d’água que gerava energia para quatro unidades têxteis.

A atividade manufatureira no lugar havia sido iniciada por David Dale e Richard Arkwrigth, em 1784, como uma das primeiras do tipo na Escócia. O visitante ficou encantado com a beleza do lugar e confessou ao companheiro de viagem o desejo em lá se instalar para por em prática experiência que há muito cogitava.

Após ter sido apresentado ao industrial David Dale, arrendou as unidades fabris por vinte

anos. Ao se instalar em New Lanark aos vinte e oito anos de idade, em janeiro de 1799,

encontrou um sistema de vida e de trabalho em pleno vigor. Crianças de até seis anos de

idade eram submetidas a uma jornada de trabalho superior a doze horas diárias – das seis

da manhã às sete da noite – seqüenciadas por um período de instrução, o que dificultava o recrutamento

de mão-de-obra. As famílias viviam submetidas a vícios, roubos, dívidas, doenças e pobreza, em situação de indigência, consumindo mercadorias de qualidade inferior, sob preços elevados. Ao constatar as fragilidades da qualidade de vida da população, Owen destinou esforços para inaugurar um novo sistema de gestão cujo intuito

seria a diminuição dos maus tratos, ressalvados o princípio da justiça e a generosidade, conforme crença própria.

Após oito meses de convívio com a família Dale, em setembro de 1799 casou-se com a filha do milionário.

Desde então, passou a se dedicar aos ideais e experimentos sociais que ambicionava, registrando os conteúdos sob a forma de ensaios (essays).

O sistema de idéias de Robert Owen: agrupando fundamentos da Gestão Social

Defensor da idéia de que o ambiente físico-cultural molda o caráter humano e uma vez

não professando qualquer religião, por acreditar que a fé contribui para tornar o homem

irracional e egoísta, Owen foi patrocinador da educação. Embora tenha freqüentado a escola

por curto período de tempo e, mesmo assim, se tornado homem culto e bem-sucedido,

esteve sempre identificado com a classe trabalhadora, ainda que sob uma perspectiva não

revolucionária. Tão logo alcançou sucesso, acumulando fortuna, concebeu o cooperativismo,

investiu em esquemas de ensino e no desenvolvimento da vida comunitária, envolveu-se

com o socialismo inglês, tratou de assuntos relacionados à urbanização e implementou estratégias de gestão inovadoras, destinadas à promoção da qualidade de vida do

trabalhador. São vastos, portanto, os empreendimentos e iniciativas sociais de Owen, o que contribuiu tanto

para a captação de admiradores – os adeptos do cooperativismo, por

exemplo – quanto de críticos – os seguidores da Teoria Crítica.

O cerne do pensamento de Owen está em dois textos, tendo sido utilizada como fonte,

para a síntese a seguir, a edição de Gatrell (1970). A New View of Society possui quatro

ensaios. O primeiro, On the Formation of Character, foi escrito em 1812 e publicado no

início de 1813. O segundo, The Principles of the Former Essay Continued and Applied in

Part to Practice, foi escrito e publicado no final de 1813. O terceiro e quarto ensaios – The

Principles of the Former Essay Applied to a Particular Situation e The Principles of the

Former Essay Applied to Government – foram escritos simultaneamente e publicados para

venda, como segunda edição, em 1816, alcançando ampla circulação tanto entre as principais

lideranças políticas, literárias e religiosas da Grã-Bretanha, quanto entre governantes da

Europa e dos Estados Unidos. O outro texto, Report to the County of Lanark, escrito em 1820,

é considerado o primeiro enunciado de princípios socialistas publicado no Reino Unido, o

que fornece a Owen a condição de pioneiro teórico do socialismo (SARGANT, 1860).

Conforme registro anterior, para o mapeamento de fundamentos da Gestão Social, a partir

do pensamento de Owen, a seqüência da exposição dos dois textos foi mantida.

Ação social vinculada a resultados econômicos

A idéia da intervenção social, na forma como aparece em A New View of Society, no

intróito An Address, está diretamente vinculada a princípios como maximização de

resultados e ordem. Nesse endereçamento que faz aos superintendentes de fábricas, Owen questiona

as perdas de tempo e de recursos financeiros resultantes dos esquemas de gestão em prática, garantindo

que retornos de capital, de até 100%, podem ser alcançados mediante, não apenas investimentos em

máquinas e instrumentos, limpos e bem-cuidados, mas, igualmente, em pessoas: a) treinadas, com energia e determinação no trabalho; b) tratadas com generosidade, de forma que os desafios mentais não ocasionem conflitos;

c) dedicadas ao desempenho, o mais perfeito possível, do cargo; d) alimentadas com quantidade suficiente de comida sadia e outras necessidades de vida; e ) fisicamente preservadas, em boas condições de trabalho, de forma a evitar a ausência ou a deterioração prematura.

Esquema educacional para a formação do caráter

No primeiro ensaio, cujo conteúdo central é a descrição de dois princípios gerais,

Owen aborda a miséria, os vícios, os crimes e a ausência de oportunidades de educação para

os trabalhadores, majoritariamente crianças. Em seguida, afirma que o conteúdo por ele

retratado está fundamentado em mais de vinte anos de experiência, período em que a verdade

e a importância do que escreve foi comprovada em múltiplos experimentos.

O primeiro princípio assevera que o caráter, do melhor ao pior, do mais ignorante ao

mais esclarecido, pode ser moldado, em qualquer comunidade, através da aplicação de

apropriados meios em grande parte sob o comando e controle daqueles que têm influência

nos relacionamentos do Homem. A idéia central defendida é que procedimentos de formação do

caráter, uma vez implementados, asseguram o bem-estar da sociedade. Desta forma, as

crianças poderiam ser treinadas para adquirir linguagem, sentimentos e crenças, ou mesmo

hábitos e costumes, não contrários à natureza humana. Ao invés da punição de crimes

provenientes do tipo de caráter socialmente compartilhado, poderia ser adotada a prevenção,

pois, os ânimos irritantes e furiosos, conseqüências da ignorância, seriam gradualmente

substituídos pela mais isenta e conciliadora confiança e boa vontade. Não seria justo,

portanto, garantir a um grupo reduzido de indivíduos – a elite governante – o direito de

impor leis e punir quando eles negam instrumentos de formação.

Cooperação da classe privilegiada ao bem-estar

O segundo princípio reza que a felicidade individual só pode ocorrer mediante padrões

de comportamento que garantam a felicidade coletiva. Passando do estágio de ignorância

para o estágio da inteligência, o Homem descobre que a felicidade individual se expande somente na proporção

em que ele ativamente se esforça para expandir a felicidade de todos ao seu redor. Tal princípio, que não admite

nem exclusão e nem limites, tem como base o pressuposto de que os extraordinários eventos da época estavam contribuindo para preparar o caminho. Considerando o fato de que a essência da sabedoria das classes privilegiadas

estaria na cooperação com as demais, um pouco de reflexão por parte dos privilegiados asseguraria uma linha de conduta – sem revolução, sem guerra ou derramamento de sangue – necessária à preparação de todo o mundo para receber princípios destinados à construção

de um sistema de felicidade. Os governos de todos os países deveriam, portanto, estabelecer planos racionais de educação – de formação geral do caráter dos cidadãos – treinando

crianças nos bons hábitos de todas as espécies. Aos céticos, que considerariam essa idéia encantadora e bela em teoria, mas visionária para ser colocada em prática, Owen exibe

exemplo prático – a experiência dos três mil habitantes de New Lanark, no inicio do Século XIX.

Filantropia e caridade

O teor do segundo ensaio é uma explanação das vantagens advindas da aplicação dos

princípios apresentados no primeiro ensaio. Um dos mais importantes benefícios, quando

postos em práticas os dois princípios gerais, seria a indução à crença de que cada homem

deve ter caridade – charity – por todos os homens. O domínio coletivo surge, novamente, vinculado à defesa de

que as circunstâncias comuns de vida podem ser modeladas pela via da organização particular do indivíduo e,

ainda, pela afirmação de que as crianças podem ser formadas conjuntamente. Os princípios apresentados, de

acordo com Owen, são instrumentos de criação de sentimentos – sem o emprego da força ou a produção de

qualquer ação contrária – capazes de conduzir os detentores de propriedade a uma concessão de recursos,

não apenas para amigos e cidadãos, mas, também, para os habitantes de todas as partes da terra.

O ideário e as práticas irracionais da época seriam reflexos da ignorância parcial de antepassados e de

contemporâneos formados sob o receituário prévio.

Instituição de normas de convívio social

As vantagens práticas da aplicação dos princípios aparecem nas narrativas da trajetória

de fundação de New Lanark e da superação de circunstâncias adversas, por parte do

pioneiro David Dale, e nas posteriores melhorias da condição geral de vida dos cidadãos da

vila após a implantação de inovações sociais pelo próprio Owen. Conforme declara, as

inovações implementadas partiram do estudo da completa extensão dos males e da caracterização das verdadeiras causas e efeitos. Para os furtos, não foram instituídos instrumentos legais de punição ou prisões, e, sim, checagens regulares e normas de

prevenção.

Controle do trabalho infantil

O esquema de absorção de crianças-aprendizes a partir dos seis anos, recebidas de

casas públicas de caridade, foi descontinuada, tendo sido estabelecido o limite mínimo de

dez anos de idade para o trabalho. As crianças passaram a estudar, em escola na própria vila,

a partir dos cinco até dez anos de idade completos, sem custos para os pais. Eram ensinadas

em ambiente de completo prazer e deleite, afirma Owen, antes do engajamento no emprego.

Urbanização e atenção à saúde coletiva

Os investimentos nas crianças foram acompanhados, simultaneamente, por outros de

atendimento às necessidades básicas, de atenção à saúde e de urbanização da vila. As casas

tornaram-se confortáveis e as ruas agradáveis, com alamedas e jardins. Mantimentos de

melhor qualidade encontravam-se disponíveis para consumo a preços baixos.

Mudança social gradativa

A aplicação dos princípios que defende, sugere Owen, deve partir de minuciosa e

abrangente visão do estágio da sociedade. As causas dos males devem ser traçadas com

precisão e os meios mais fáceis e simples devem ser imediatamente aplicados para

remover-los.

Para produzir melhores resultados, o conjunto das mudanças desejadas deve ser

implantado de forma tão gradativa quanto aparentemente imperceptível, pois, assim, a

inclinação para resistências é removida e tempo será dado para que a razão fragilize a força

dos danos nocivos existentes. A remoção do primeiro mal prepara o caminho para a remoção

do segundo e, em progressão geométrica, os dirigentes do sistema logo serão gratificados

pela magnitude dos benefícios idealizados.

Sistemas nacionais de emprego e de educação

Há, contudo, a necessidade de medidas governamentais. Ao sugerir ao governo a

criação de um sistema nacional de formação do caráter, registra Owen que os governantes

devem disponibilizar uma reserva de empregos para suprir demandas da classe trabalhadora.

Esses empregos devem estar vinculados ao interesse nacional, de forma que o público possa

tirar vantagens em igual proporção aos custos requeridos.

Educação infantil

No terceiro ensaio há comentários a respeito do New Institution, centro destinado

principalmente à educação infantil, equipado com play-ground, cuja criação foi direcionada,

dentre outras razões, para afastar as crianças dos costumes e tratos incorretos dos pais (não educados) colocando-as em situação segura na aquisição dos melhores hábitos e princípios.

Lazer e descanso semanal

O ser humano necessita de descanso em virtude da ocupação diária. Todos aqueles que

pretendem fornecer felicidade à humanidade, não devem falhar em provir entretenimento e

recreação. A concepção de um dia de descanso por semana – o Sabbath – tem, originalmente,

esse intuito e, para corrigir aproveitamentos indevidos, seria necessária a introdução, nos

demais dias da semana, de medidas inocentes de entretenimento e recreação. Inocente, é

factível deduzir, implicava a exclusão de diversões envolvendo bebedeira e jogatina, tema

em pauta para os britânicos tanto naquele tempo quanto nos dias atuais.

Dentre as medidas inocentes de lazer, os habitantes da vila tiveram disponíveis áreas

de jardinagem e de plantio de batatas, para cultivo durante os períodos de verão, além de

passeios públicos. O belo cenário natural de New Lanark é descrito, não apenas como o mais

econômico, mas, também, como o mais gratificante prazer que o indivíduo pode desfrutar e,

por conseguinte, todos os homens podem ser facilmente versados a fazê-lo.

Emancipação humana

É mais fácil conduzir a humanidade para a virtude, ou para a conduta racional,

mediante a oferta de entretenimentos inocentes do que pela via de controles inúteis, que

podem ser repugnados prejudicando boas qualidades. Segundo Owen, em todos os tempos e

territórios o homem parece ter, às cegas, conspirado contra a felicidade, permanecendo

ignorante em relação a ele próprio, como o foi em relação ao sistema solar em tempos

anteriores a Copérnico e Galileu. O tempo para a emancipação da mente humana não havia

chegado até então e o mundo não se encontrava preparado para tal. Contudo, a partir das

grandes mudanças que se processavam, Owen acreditava que o homem dava passos

importantes em direção a outro grau de inteligência que a natureza própria proporcionava.

Relações de gênero e definição de papeis sociais

A pedagogia do New Institution envolvia uma concepção de sociedade ajustada à

definição de papéis sociais por gênero. Para os garotos, era meta ensinar a ler bem, entender

o escrito, escrever em letra legível e compreender e usar as regras fundamentais da

aritmética.

Às garotas cabia ensinar, também, a costurar e compor vestimentas familiares. Após

Dominar essas habilidades, deveriam comparecer à cozinha pública e às salas de refeição e, ainda, aprender a preparar comida de forma econômica e a manter a casa limpa e

bem-cuidada.

Educação (e doutrinamento) de jovens e adultos

No período noturno ocorriam lições destinadas à preparação dos adultos: a) em

métodos apropriados para criar as crianças, tornando-as criaturas racionais; b) na forma

como destinar os recursos oriundos do trabalho; c) na forma como reservar as sobras.

Todos eram questionados sobre o progresso nos conhecimentos úteis e estavam consentidos

a perguntas e discussões. O New Institution funcionou, ainda, como templo, difundindo um ideário por Owen considerado factual. Ainda que crítico da Igreja, pronunciando-se cético, traçou uma cartilha de princípios cujo conteúdo ergueria uma religião vital – vital religion – capaz de trazer paz e felicidade ao homem via operação pragmática de formação do caráter.

Trabalho voluntário

Uma vez que nem todos agem racionalmente, sendo ensinados à arte da guerra desde a

infância, os homens de New Lanark foram treinados em táticas de defesa para utilizá-las

quando atacada a comunidade. Assim, o New Institution forneceu treinamento no manuseio

de armas de fogo que contribuiriam para a saúde e o estado de espírito, dando postura apropriada aos jovens, além de hábitos de atenção e ordem. Apesar de Owen não mencionar,

é importante pontuar que essa iniciativa se encontrava em sintonia com um amplo

movimento nacional de formação de associações militares voluntárias, tema retratado por

Gee (2003) em The British Volunteer Movement 1794-1814.

Saúde preventiva e fundo previdenciário

Havia expediente destinado a assegurar aos indivíduos da vila um recolhimento seguro

na aposentadoria, sob provisão e refúgio em condições confortáveis. Todos os empregados

no local contribuíam para um fundo que sustentava o trabalhador afastado por doença ou quando houvesse cumprido a vida útil para tarefas industriais.

Fundo moradia

A garantia do conforto na aposentadoria envolvia a construção de moradias cuja posse,

por parte do trabalhador, ocorria, sem coação, mediante a economia de quantia mensal de

forma que, ao final de um dado número de anos, pagasse o valor total do imóvel.

Desenvolvimento comunitário

O fundo criado era, igualmente, uma espécie de poupança que financiava o conforto

das moradias, envolvidas por jardins e resguardadas por plantações e calçadas. Uma vez

ocupando a residência, o trabalhador passava a receber um valor financeiro suficiente para o

sustento. Tal política teve o intuito de incrementar a fixação das famílias na vila.

Política pública de combate à miséria

Owen discutiu a pobreza, o consumo de bebidas alcoólicas, o crime e a jogatina entre

os pobres, o que o levou a escrever carta de recomendações ao governo britânico, objeto do

quarto ensaio.

Quadro 1: Síntese das interfaces entre idéias e experiências de Owen e a agenda da Gestão Social

Agenda de Owen Agenda contemporânea no Brasil

Qualidade de Vida no Trabalho

Esquema educacional para a formação do caráter Educação continuada

Atenção às necessidades básicas e à saúde Auxílios transporte, alimentação e saúde

Fundo moradia Financiamento para aquisição da casa própria,

Lazer e descanso semanal Flexibilidade da jornada de trabalho e saúde ocupacional

Saúde preventiva e fundo previdenciário Plano empresarial de saúde e previdência

Responsabilidade Social Corporativa

Ação social vinculada a resultados econômicos Ação social vinculada à imagem corporativa

Cooperação da classe privilegiada ao bem-estar Contribuição empresarial à amenização da e exclusão social

Instituição de normas de convívio social Códigos de ética e de conduta nas organizações

Controle do trabalho infantil Combate ao trabalho infantil

Mudança social gradativa Política de articulação social

Terceiro Setor

Filantropia e caridade Organizações filantrópicas e caritativas

Sistemas nacionais de emprego e de educação Alternativas de emprego e renda e capacitação

Educação infantil, de jovens e de adultos Educação de Jovens e Adultos – EJA e básica

Trabalho voluntário Trabalho voluntário e voluntariado empresarial

Emancipação humana Organizações de proteção e defesa de direitos de minorias

Relações de gênero e definição de papéis sociais Condição e direitos da mulher

Política pública de combate à miséria Fome Zero

Regulação, trabalho e riqueza Parceria público-privada e concentração de renda

Gestão Ambiental

Urbanização e atenção à saúde coletiva Uso do espaço urbano, saneamento e saúde pública

Desenvolvimento comunitário Desenvolvimento Local Integrado e Sustentado - DLIS

Fonte: elaborado pelos autores

Regulação, trabalho e riqueza

O conteúdo do texto Report to the County of Lanark tem igualmente apelo público-governamental

com foco no papel regulador do Estado e na apresentação do esboço de plano

de ação destinado à superação de problemas relativos ao emprego de mão-de-obra no campo

e na cidade. Owen afirma que a disponibilidade de empregos, com ganhos suficientes para

manter uma família trabalhadora, é aspiração geral e que tal meta não pode ser alcançada

até que o governo e o legislativo adotem medidas para remover obstáculos que, de outra

forma, manterão a classe trabalhadora na pobreza e insatisfeita, gradualmente contribuindo para a deterioração dos recursos do Império.

O trabalho é reconhecido como a fonte geradora de toda a riqueza. Os mercados, por

sua vez, crescem em virtude da remuneração à classe trabalhadora e são mais ou menos

ampliados na proporção em que essa classe esteja bem ou mal remunerada. Avalia, então, que

os arranjos existentes não estariam remunerando o trabalhador adequadamente, e, em

conseqüência, os mercados iriam fracassar. Assim, propõe a intervenção do governo e do

legislativo, o que é detalhado sob a forma de um esboço de plano.

Há, aqui, uma tentativa de teorização. Owen fala nas Ciências Sociais, em Economia

Política e no poder do conhecimento, questionando o sistema de valor ajustado ao ouro e à

prata, para defender o trabalho humano como padrão natural de valor. Ao recorrer, mais uma

vez, à defesa da instrução como artifício para superar a miséria, aconselhando políticas ao

legislativo e ao governo, o esforço teórico fica ofuscado.

Apreciação crítica e reflexões finais

Considerando o fato de que não foi objeto da pesquisa a justificação teórica do

construto Gestão Social e, sim, um resgate histórico de iniciativas que se aproximam de tal

concepção, a discussão retratada merece contrapontos.

É pertinente retomar, inicialmente, as delimitações do estudo. A leitura e crítica,

centradas em iniciativas de Robert Owen por razões já apontadas, não contemplaram outros

inovadores sociais da época da Revolução Industrial estando circunscritas a um período de

tempo, contexto sócio-econômico e espaços político-jurídico e físico específicos. Assim

sendo, não se pretende anular o valor das inovações acima narradas, ocorridas em um

passado remoto do ponto de vista da Ciência da Administração.

Na trajetória particular de vida, Owen se apresentou como empresário bem-sucedido,

teórico educacional e reformista social de tal forma que leituras a respeito das suas

iniciativas convidam à adoção de cautela. Não se trata de um acadêmico ou teórico e, possivelmente, isso explica a ausência de rigor quer na apreciação do contexto social que vivenciou quer nas afirmações e alternativas apresentadas. A linguagem empregada é

incisiva na defesa de um sistema ideal e apelativa na explanação de exemplos pessoais para convencer. O cerne da obra pode ser tomado, assim, como retórica, insuficiente à

constituição de uma teoria. Se, por um lado, criticou a ganância e a acumulação de riqueza,

por outro, tirou proveito da situação e fez fortuna pela via da exploração e da apropriação

do resultado do trabalho alheio. Se, por um lado, criticou as condições gerais de vida e de trabalho da época, de outra forma, denominou como ato de benevolência as concessões e inovações dos detentores de propriedade na busca por mão-de-obra – inclusive aquelas desenvolvidas por ele próprio.

No primeiro ensaio de A New View of Society, quando se dirige ao público britânico,

defende a idéia de que o mal por ele retratado advém de erros de antepassados e que, uma

vez identificadas as suas causas, medidas – o termo por ele empregado é remedy – devem

ser implementadas de forma a gerar benefícios e produzir o mínimo possível de inconveniências.

Em mensagem que endereça aos superintendentes de fábricas, descreve a gestão empresarial

como um sistema composto de várias partes em que mãos se articulam com equipamentos e

máquinas para produzir o mais elevado ganho para os proprietários. O questionamento em

torno do conteúdo ético desse sistema social de exploração do homem pelo homem,

resultante da Revolução em processo – e não do passado – é, portanto, negligenciado.

As políticas sociais de Owen foram arquitetadas como resposta ou, no mínimo,

moldadas por movimentos de oposição. Está posto no segundo ensaio de A New View of

Society que, da mesma forma que em outros países, havia por parte das classes inferiores da

Escócia intenso preconceito à autoridade estrangeira, especialmente à inglesa. Com negócios

prévios em Manchester, Owen enfrentou fortes aversões, agravadas por haver sucedido

David Dale – sob cuja tutela os trabalhadores agiam da forma como desejavam –, por

professar crença religiosa diferente e por que os trabalhadores passaram a cogitar que mecanismos de opressão seriam impostos para extrair maiores resultados do trabalho. Os eventos de ataques e

defesas que, segundo declara, duraram dois anos, são narrados não como mecanismos de

resistência enfrentados que demandavam a adoção de medidas sociais, mas, sim, como um

quadro adverso contornado pelo mérito profissional do estrangeiro – um dado

temperamento, paciência e confiança na validade dos princípios que fundamentavam a

conduta própria.

Owen advoga valores – valiosos princípios – que, em essência, partem de um peculiar

ponto de vista das transformações ocorridas na sociedade britânica entre meados dos

Séculos XVIII e XIX e de preferências pessoais, idealizando e produzindo instrumentos que curariam os males sociais

da época. Por se encontrar descolada da investigação em torno das efetivas causas que determinavam o contexto social, político e econômico por ele criticado,

a obra não se configura, sequer, como um paradigma coerente entre as preocupações

abordadas e as respostas – remédios – recomendadas. Palavras dirigidas à Sua Alteza Real o Príncipe Regente do Império Britânico, no primeiro ensaio de A New View of Society,

sugerem outras fragilidades, conforme ilustram as afirmações a seguir:

- os ensaios foram escritos para mostrar que a origem da miséria pode ser localizada

na ignorância daqueles que governam e daqueles que são governados;

- os princípios revelados são qualificados para desenvolver uma prática que, sem

muita mudança aparente, e sem qualquer desordem pública, progressivamente removerá

as dificuldades daqueles que no futuro poderão governar e o descontentamento daqueles

que deverão ser governados.

Ao desviar a origem dos problemas provenientes da Revolução Industrial do tipo de

relação sócio-econômica estabelecida, localizando-a ora na ignorância de governados e

governantes e ora na culpa aos antepassados, Owen debilita o sistema de idéias traçado

especialmente por defender que certo aparelho de formação do caráter humano disseminaria

felicidade por todo o meio social. É precária a defesa de que doenças, pobreza, crime e maus

tratos são conseqüências da ignorância e que podem ser superados através da formação. É

igualmente precária a declaração de fé de que um dado aparelho educacional torna possível –

sem conflitos, sem derramamento de sangue e sem guerras – uma nova conformação social,

pela via da difusão de ideais como cooperação, benevolência e caridade e de uma peculiar

concepção de justiça e eqüidade, mantido o sistema de exploração.

Owen não discute a necessidade de superação da ordem econômica prevalecente e

sequer questiona a legitimidade do lucro. Além disso, ao propor medidas exteriores ao

sistema, falha tanto na formulação de uma teoria crítica quanto de uma teoria legitimadora

das transformações em processo. Por navegar entre censuras aos efeitos do modelo sócio-econômico em vigor sem se opor ao conteúdo central do sistema, qual seja, a exploração e a

apropriação objetiva do resultado do trabalho alheio, provenientes de um determinado tipo

de relação social, se torna parte integrante da crítica de Engels (1920). Aliás, no terceiro

ensaio de A New View of Society, o conhecimento e a formação do caráter humano aparecem como resultado de um desenvolvimento natural, profundamente influenciada por idéias e hábitos de antepassados, e apenas sutilmente derivados da relação do homem com o mundo material.

As fragilidades identificadas em Owen não diferem, contudo, daquelas que podem ser

creditadas ao construto Gestão Social, conduzindo às seguintes constatações: a) ambos

partem de conjecturas idealizadas a respeito do estágio presente do meio social e

organizacional e não de uma rigorosa reflexão em torno do caráter das relações do homem

com o semelhante e com a natureza; b) articulam estratégias de gestão organizacional direcionadas à amenização de efeitos indesejáveis oriundos do tipo de relação social prevalecente sem questionar as origens;

c) dão formato estético a elementos de gestão que, em essência, privilegiam a racionalidade

substantiva ao tempo em que conservam processos de trabalho e de vida que inibem – ou

retardam – a efetiva emancipação humana; d) em virtude das fragilidades anteriores,

aparecem sob a forma de fragmentos e não compondo um corpo teórico único e coerente.

Em síntese, tanto as experiências pretéritas de Owen quanto aquelas hoje aglutinadas

em torno do construto Gestão Social, podem ser lidas como inovações organizacionais a

partir das quais o capitalismo dissemina prêmios eventuais, ao tempo em que o

individualismo se sedimenta como crença, inclusive para os não detentores de propriedade (GATRELL, 1970).

De forma dialética, são, também, conquistas sociais alcançadas pela via do progresso

tecnológico em sincronia com movimentos de resistência e de retomada gradativa de

consciência do Homem em torno das condições gerais do ambiente e de vida do semelhante.

Por fim, é factível afirmar que a composição das bases da Administração,

independentemente da perspectiva teórica adotada, deve ser localizada no tempo e no espaço,

nos contornos político-jurídicos – ideologias, resistências e sistemas de trabalho e de valores

em vigor – e na conformação do cenário sócio-econômico. É igualmente importante o

delineamento de biografias para que se possa identificar sistema de idéias e

convencionalismos dos atores envolvidos. Tal disposição mostrou-se aqui útil, em termos

gerais, à reflexão em torno da epistemologia da Ciência da Administração e, em termos

específicos, à indicação de pontos de estudo do pensamento e construto analisados. De outra

forma, as debilidades teóricas não anulam nem a relevância do pioneirismo de Owen, na

forma de pensar e de gerir negócios, e nem a tentativa dos estudiosos das organizações na

conformação da Gestão Social. Ao contrário, é parte integrante do compromisso de

consolidação da Ciência, exibindo os limites de leituras de reformas administrativas quando

descoladas da análise do cenário em que se dão. São dignos de apreciação, portanto, os

assuntos antes debatidos por Owen e hoje na agenda das sociedades, pois, ainda que tomados

como cabide ideológico, influenciam a vida de vários segmentos – teóricos revolucionários,

reformistas, empresários, trabalhadores, sindicalistas, acadêmicos, legisladores e governantes.

Fonte: Fundamentos da Gestão Social na revolução industrial: leitura e apreciação crítica.

Autoria: Washington Jose de Souza e Marcos Dias de Oliveira.

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